venerdì
giovedì
:: Creio nos Anjos do Mundo...

Creio nos
anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores
lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas,
nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho
que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,
Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,
Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro.
Ámen.
Natália Correia
mercoledì
:: Voar...

Acho que me apetece ser um avião.
Andar de braços abertos e sentir o ar.
Rodopiar rapidamente em manobras fluentes;
erguer os pés do chão e voar.
Sentir o vento frio acariciando-me a face,
coçando-me o cabelo, roçando-me o flanco.
Sem rumo, sem rota, sem hora para aterrar.
Encher-me de céu azul e de nuvens.
Esvaziar-me do lastro pesado que me prende ao chão.
Olhar para baixo, ver o belo e esquecer o feio.
Libertar-me.
Voar em movimentos soltos e redondos
De fazer inveja aos pássaros.
Dizer-lhes:
-“Se vocês cantam porque sabem voar,
então eu voo porque gosto de cantar.”
E tudo isto por ser saudável.
Andar de braços abertos e sentir o ar.
Rodopiar rapidamente em manobras fluentes;
erguer os pés do chão e voar.
Sentir o vento frio acariciando-me a face,
coçando-me o cabelo, roçando-me o flanco.
Sem rumo, sem rota, sem hora para aterrar.
Encher-me de céu azul e de nuvens.
Esvaziar-me do lastro pesado que me prende ao chão.
Olhar para baixo, ver o belo e esquecer o feio.
Libertar-me.
Voar em movimentos soltos e redondos
De fazer inveja aos pássaros.
Dizer-lhes:
-“Se vocês cantam porque sabem voar,
então eu voo porque gosto de cantar.”
E tudo isto por ser saudável.
Nuno Rita
:: Sinto Falta de Ti...

Então vou procurar-te
como uma andorinha
procura o local do seu passado,
como uma criancinha Por vezes sinto falta de Ti
como um rio na barragem
sente a falta do mar,
como uma árvore com folhagem
sente a falta do vento para a embalar,
ou como uma sombra
sente a falta da luz para se projectar.
procura a mãe só para estar ao seu lado,
ou como uma mão
procura outra num aconchego desejado.
Sei que te encontrarei
como alguém
que encontra o seu caminho,
como o homem
que encontra o teu carinho,
ou como o amor
que encontra o seu ninho.
sinto-me: Amor
como uma andorinha
procura o local do seu passado,
como uma criancinha Por vezes sinto falta de Ti
como um rio na barragem
sente a falta do mar,
como uma árvore com folhagem
sente a falta do vento para a embalar,
ou como uma sombra
sente a falta da luz para se projectar.
procura a mãe só para estar ao seu lado,
ou como uma mão
procura outra num aconchego desejado.
Sei que te encontrarei
como alguém
que encontra o seu caminho,
como o homem
que encontra o teu carinho,
ou como o amor
que encontra o seu ninho.
sinto-me: Amor
Nuno Rita
martedì
:: Quem...
Fotografia de PublicidadeQuem me dera que eu fosse o pó da estrada
Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...
Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
por cima e a água por tivesse só o céu baixo...
Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...
Alberto Caeiro-Fernando Pessoas
Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...
Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
por cima e a água por tivesse só o céu baixo...
Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...
Alberto Caeiro-Fernando Pessoas
lunedì
:: Angela Adonica

Angela Adonica
Hoje deitei-me junto a uma jovem pura
como se na margem de um oceano branco,
como se no centro de uma ardente estrela
de lento espaço.
Do seu olhar largamente verde
a luz caía como uma água seca,
em transparentes e profundos círculos
de fresca força.
Seu peito como um fogo de duas chamas
ardía em duas regiões levantado,
e num duplo rio chegava a seus pés,
grandes e claros.
Um clima de ouro madrugava apenas
as diurnas longitudes do seu corpo
enchendo-o de frutas extendida
se oculto fogo.
Pablo Neruda
domenica
:: Criança...

CRIANÇA
Com jeito de criança
Dizem que és o futuro
de um país sem presente
Que o amanhã
depende de ti,
ainda que nada façam
para que esperem tanto.
O pranto chega, a fome,a dor.
Não te olham como gente,
és apenas mais um entre
milhares de inocentes que nada
pediram,inclusive,
nascer sem direito a viver.
Onde estão os culpados
por tamanho descaso?
Onde estão os que te acusarão depois?
Tu, criatura irradiante,
que do mundo merecia respeito
e grande afeição
Tu, que ao sair do ventre materno
choras e faz chorar de alegria
quem nos braços te acolhe.
Corre...
Mostra-nos os teus desejos,
teus anseios
Mostra-nos que podemos ter
um coração semelhante ao teu
Ensina-nos a construir
castelos de areia que o vento derrubará
e nos faz perceber que nenhum vento
dura tanto que podemos sempre recomeçar...
Feito criança que ensaia os primeiros passos.
Elis Angela Franco Ferreira
giovedì
martedì
:: Chorarei meu mar...

Pus o meu sonho num navio e
o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo meu sonho,
dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Cecilia Meirelles
lunedì
:: Uma...

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.
Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.
Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta (...)
Fernando Pessoa
Um dia baço mas não frio...
Um dia baço mas não frio...
Um dia como
Se não tivesse paciência pra ser dia,
E só num assomo,
Num ímpeto vazio
De dever, mas com ironia,
Se desse luz a um dia enfim
Igual a mim,
Ou então
Ao meu coração,
Um coração vazio,
Não de emoção
Mas de buscar, enfim
- Um coração baço mas não frio.
Fernando Pessoa
venerdì
:: Pois...
giovedì
:: Anjos Mulheres...

Anjos mulheres
– VI
As mulheres voam
como os anjos:
Com as suas asas feitas
de cristal de rocha da memória
Disponíveis
para voar
soltas...
Primeiro
lentamente:
uma por uma
Depois,iguais aos pássaros
fundas...
Nadando,
juntas
Secreta:
a rasar o chão
a rasar a fenda
da lua
no menstruo:
por entre a fenda das pernas
Às vezes é o aço
que se prende
na luz
A dobrarmos o espaço?
Bruxas:pomos asas
em vassouras de vento
E voamos
Como as asas
lhe cresciam nas coxas
diziam dela:
que era um anjo do mar
Rondo alto,
postas em nudez de ombros
e pernas
perseguindo,
pelos espaços,
lunares
da menstruação
e corpo desavindo
Não somos violência
mas o voo
quando nadamos
de costas pelo vento
até à foz do tempo
no oceano denso
da nossa própria voz
Sabemos distinguir
a dormir
os anjos das rosas voadoras
pelo tacto?
Somos os anjos
do destino
com a alma
pelo avesso
do útero
Voamos a lua
menstruadas
Os homens gritam:
– são as bruxas
As mulheres pensam:
– são os anjos
As crianças dizem
:– são as fadas
Fadas?
filigrama cintilante
de asas volteando
no fundo da vagina
Nadamos?
De costas,
no espaço deste século
Mudar o rumo
e as pernas mais ao
fundo
portas por trás
dobradas pelos rins
Abrindo o ar
com o corpo num só golpe
Soltas,vi
ando
até chegar ao fim
Dizem-nos:
que nos limitemos ao espaço
Mas nós voamos
também
debaixo de água
Nós somos os anjos
deste tempo
Astronautas,
voando na memória
nas galáxias do vento...
Temos um pacto
com aquilo que
voa
– as aves
da poesia
– os anjos
do sexo–
o orgasmo
dos sonhos
Não há nada
que a nossa voz não abra
Nós somos as bruxas da palavra
Maria Tereza Horta
mercoledì
:: Valorize...
domenica
:: A Beleza...
sabato
:: Mal...
mercoledì
martedì
sabato
:: Eu...
Iscriviti a:
Post (Atom)

























































