
Chamo-Te
porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.
Peço-Te
que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares
me purifique e acabe.
Há muitas coisas que eu quero ver.
Peço-Te
que sejas o presente.
Peço-Te
que inundes tudo.
E que o teu reino antes
do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado...
Sophia de Mello Breyner Andersen